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6 Sinais de Abandono do Esquema

  • Foto do escritor: Camila Moreira
    Camila Moreira
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Esquema de Abandono: quando o amor vem acompanhado de medo de perda

Este artigo faz parte de uma série sobre os 18 esquemas descritos por Jeffrey Young. Aqui, trago não apenas a definição teórica, mas também a minha leitura clínica, como esse padrão aparece na prática e como pode ser trabalhado em terapia.

Os esquemas são, na essência, padrões emocionais profundos que moldam a forma como você percebe a si mesmo, os outros e os relacionamentos.

Costumo descrevê-los como o “DNA emocional” da personalidade.

O esquema de abandono, que faz parte do domínio de desconexão e rejeição, está relacionado à expectativa constante de que o outro não será estável, disponível ou presente, emocionalmente ou fisicamente.


O paradoxo do abandono

Muitas pessoas com esse esquema vivem um conflito interno muito marcante:

Ao mesmo tempo em que desejam profundamente um vínculo, não acreditam que ele vai durar.

Você pode se reconhecer se:


  • Já pensou que dificilmente alguém vai te amar de verdade

  • Mas, ainda assim, continua buscando relacionamentos

  • Vive relações intensas, com muita entrega emocional

  • E sente uma dor desproporcional quando elas terminam


Existe aqui um paradoxo: você deseja o amor, mas vive como se ele fosse sempre escapar.


Como isso aparece na prática:


Na clínica, o esquema de abandono raramente aparece de forma sutil. Ele costuma vir acompanhado de intensidade emocional, hipervigilância e medo constante de perda.


Alguns sinais frequentes:


  • Sensação de que não tem ninguém verdadeiramente disponível

  • Sofrimento intenso diante de afastamentos (mesmo pequenos)

  • Ansiedade quando o outro demora a responder mensagens

  • Tendência a interpretar sinais neutros como rejeição

  • Oscilações entre desespero, raiva e ressentimento

  • Comportamentos que, sem perceber, afastam o outro


É comum que a pessoa seja vista como “sensível demais”, quando, na verdade, está operando a partir de um sistema emocional constantemente ativado.

De onde vem esse padrão?


Diferente da ideia de uma “causa única”, o esquema de abandono costuma ser construído a partir de uma combinação de fatores.


Pode estar relacionado a:

  • Experiências precoces de separação, ausência ou instabilidade emocional

  • Cuidadores inconsistentes, indisponíveis ou imprevisíveis

  • Perdas reais (físicas ou emocionais) na infância

  • Momentos em que a criança, ainda muito dependente, se sentiu sozinha


Muitas vezes, essas experiências acontecem em fases muito iniciais da vida, inclusive pré-verbais, o que faz com que o sentimento exista, mesmo sem uma memória clara associada.


E aqui está um ponto importante: para a criança, a perda de vínculo não é apenas tristeza é vivida como ameaça à sobrevivência.


O ciclo que mantém o esquema:

Na vida adulta, o esquema não aparece apenas como uma lembrança, ele se reativa no presente.

E, para lidar com essa dor, a pessoa tende a desenvolver padrões que, sem perceber, mantêm o problema:


  • Hipervigilância: busca constante por sinais de rejeição

  • Ansiedade relacional: necessidade de confirmação frequente

  • Reatividade emocional: respostas intensas diante de pequenas frustrações

  • Autossabotagem: comportamentos que acabam afastando o outro


Ou seja, o medo do abandono, muitas vezes, acaba contribuindo para que ele se concretize.


Caminhos de mudança na Terapia do Esquema

O trabalho terapêutico aqui não é apenas “pensar diferente”, mas transformar a experiência emocional.


Alguns pilares importantes:

1. Compreensão do padrão: Entender como esse esquema foi construído e como ele se manifesta hoje. Isso cria distanciamento e consciência.

2. Identificação de gatilhos: Perceber em quais situações o esquema é ativado, silêncio, distância, mudanças no comportamento do outro.

3. Reconhecimento das reações emocionais: Nomear sentimentos como medo, pânico, raiva e tristeza, sem agir automaticamente a partir deles.

4. Desenvolvimento de autorregulação emocional: Aprender a responder às próprias necessidades, em vez de depender exclusivamente do outro para isso.

5. Construção do “adulto saudável”: Fortalecer uma parte interna capaz de acolher, validar e regular a criança vulnerável que teme o abandono.


Um ponto essencial

Pessoas com esse esquema costumam ser muito críticas consigo mesmas, principalmente em relação à intensidade emocional.

Mas é importante dizer essa intensidade não surgiu do nada, ela faz sentido dentro da história vivida.

O problema não é sentir muito. O problema é não ter aprendido, até aqui, outras formas de lidar com o que sente.

É possível mudar.

Mesmo sendo um esquema profundo, o abandono pode ser trabalhado.

Isso não significa deixar de se importar ou se tornar “frio”, mas desenvolver segurança interna suficiente para não viver os relacionamentos a partir do medo constante de perda.

Na Terapia do Esquema, esse processo acontece tanto pelas técnicas quanto pela própria relação terapêutica que oferece uma experiência emocional diferente: mais estável, previsível e segura.

E, aos poucos, isso começa a ser internalizado.

 
 
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